Fora a cabeça que balança
No espeto, como se procurasse
Um vislumbre de loucura
Perdida nos braços de um cisne negro
Fora o tronco inerte
Colhido no seio da plumagem
Rugindo à efémera
Vontade de se exonerar
Oh, horas paranóicas
Invertidas no submerso
Feitas lume rasgado em solidão
Tragam ao corpo o mal merecido
Tragam à carne os ponteiros
Façam dos ossos egoísmo
Dêem ao cisne o ridículo
De querer estar só.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Quarto despido
Segue os outros
Mexe os teus passos
Nas mais opostas direcções
E continua inerte
Junto a essa porta
De madeira envernizada com o meu suor
Ergue o teu rosto no meu corpo,
Fixa-te nos lábios,
Esses que te dispneiam
E fazem corar as maçãs do rosto.
Oh meu Adónis terreno
Frente a mim
Oh meu doce, eterno rapaz
Desassossega os traços que te amam
E te prendem nos lençóis
Faz de mim teu pertence.
Neste espaço
Ou naquela praia,
Por favor, amanhã,
Sussurra-me ao ouvido cantos de glória.
Derrete a minha carne,
A minha pele.
Pinta a parede com o meu sangue
Faz do meu dorso teu trono
Bebe nas malgas das minhas mãos
O mais doce e puro veneno.
Grita, estonteia,
Guarda-te em mim.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Extracto da fornicação I
Ai, estas vozes
fornicam-me
Ai, estas vozes
mastigam-me
Estas vozes
Prendem-me palavras ao crânio
Que se desfazem com chuva
E enterram-se nele.
Ai, estas vozes
Agudas, dor
Ai!
vozes, vozes
Não me façam mais suspirar
Não me façam mais chorar
Não me façam mais cansar
Não quero suplicar
Ai
Vozes
Não vos ouço.
sábado, 26 de maio de 2012
Abro o fecho da minha pele
Dispo-me
E desfilo amarrado
A rochas de lava derretida
Que me caiem sobre os pés
Esburaca-se a carne exposta
Chego ao patíbulo
Sentam-me
Na cadeira violentada
Ligam a corrente
Estremeço, tremo
Rasgo o céfalo.
Sou, já inerte
Acusado de viver
Sobre águas movediças
E eles
Eles!
Infelizes, pobres, carrascos
Só eles
Sabem a verdade.
Dispo-me
E desfilo amarrado
A rochas de lava derretida
Que me caiem sobre os pés
Esburaca-se a carne exposta
Chego ao patíbulo
Sentam-me
Na cadeira violentada
Ligam a corrente
Estremeço, tremo
Rasgo o céfalo.
Sou, já inerte
Acusado de viver
Sobre águas movediças
E eles
Eles!
Infelizes, pobres, carrascos
Só eles
Sabem a verdade.
domingo, 13 de maio de 2012
Nunca Cessemos
Dê-mos as mãos
Apertemos com tanta força
Até fazer estremecer as águas do mar
Fazer descer dos céus as nuvens.
No meio da neblina
Imaginando os rostos doridos
Trémulos
Larguemo-las, cravejadas de sangue
E brotemos lágrimas opacas
Que formem as covas
Onde dormiremos juntos.
Apertemos com tanta força
Até fazer estremecer as águas do mar
Fazer descer dos céus as nuvens.
No meio da neblina
Imaginando os rostos doridos
Trémulos
Larguemo-las, cravejadas de sangue
E brotemos lágrimas opacas
Que formem as covas
Onde dormiremos juntos.
domingo, 29 de abril de 2012
Sorumbático
Sem fins poéticos
Vejo se torcerem
as camas onde dormi
Os teus fóssicos poros
serem penetrados
por galhos espinhosos de roseiras
que um dia me disseram
- Leva-me
Atraco em cais desertos
sem a esperança de encontrar
olhos roxos rotos
de nunca me terem visto
despido das escamas
que me foram cozidas
pelas sibilas
onde outrora
me lançaram palavras toscas
sobre a Morte
E hoje
só hoje
começo a sentir.
Vejo se torcerem
as camas onde dormi
Os teus fóssicos poros
serem penetrados
por galhos espinhosos de roseiras
que um dia me disseram
- Leva-me
Atraco em cais desertos
sem a esperança de encontrar
olhos roxos rotos
de nunca me terem visto
despido das escamas
que me foram cozidas
pelas sibilas
onde outrora
me lançaram palavras toscas
sobre a Morte
E hoje
só hoje
começo a sentir.
domingo, 22 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Que arrastasse
os meus pêlos erectos
imbuídos em álcool
Sentisse nas veias
o cantar de amigos
E as lágrimas grossas
me molhassem o rosto negro
da tristeza embrulhada
em palavras que oiço
nas leves palavras da guitarra
Leva-me daqui
Faz-me tocar na cinza das nuvens
e dizer-te
O amor é trova de luz quente.
os meus pêlos erectos
imbuídos em álcool
Sentisse nas veias
o cantar de amigos
E as lágrimas grossas
me molhassem o rosto negro
da tristeza embrulhada
em palavras que oiço
nas leves palavras da guitarra
Leva-me daqui
Faz-me tocar na cinza das nuvens
e dizer-te
O amor é trova de luz quente.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Os meus ossos caiem aos pés
E o meu corpo para trás da vida
Os abismos sobem
As mentes descem
Desnudam-se as criaturas inconscientes
Que por se acharem livres,
Omnipresentes,
Assentam pilares moles
Sobre as águas
No fundo dos horizontes
O preto torna-se luz
O branco esvanece
A vida balança depois da queda
E vejo-me vivo
Sem a pele
Que no passado
Furou as unhas dos meus dedos.
E o meu corpo para trás da vida
Os abismos sobem
As mentes descem
Desnudam-se as criaturas inconscientes
Que por se acharem livres,
Omnipresentes,
Assentam pilares moles
Sobre as águas
No fundo dos horizontes
O preto torna-se luz
O branco esvanece
A vida balança depois da queda
E vejo-me vivo
Sem a pele
Que no passado
Furou as unhas dos meus dedos.
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