sábado, 26 de maio de 2012

Abro o fecho da minha pele
Dispo-me
E desfilo amarrado
A rochas de lava derretida
Que me caiem sobre os pés
Esburaca-se a carne exposta
Chego ao patíbulo
Sentam-me
Na cadeira violentada
Ligam a corrente
Estremeço, tremo
Rasgo o céfalo.

Sou, já inerte
Acusado de viver
Sobre águas movediças
E eles
Eles!
Infelizes, pobres, carrascos
Só eles
Sabem a verdade.


domingo, 13 de maio de 2012

Nunca Cessemos

Dê-mos as mãos
Apertemos com tanta força
Até fazer estremecer as águas do mar
Fazer descer dos céus as nuvens.
No meio da neblina
Imaginando os rostos doridos
Trémulos
Larguemo-las, cravejadas de sangue
E brotemos lágrimas opacas
Que formem as covas
Onde dormiremos juntos.