segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quero conhecer raros, fracos e intensos
penetrarem-me a vida por um dia,
desconhecidos e aturdidos para
desabafos imersos em copos, desalentos.
Quero tudo que mais odeio,
quero gentes e baratas
quero mofo, quero mijos em latas
quero mais e mais, quero o receio.
Que me encham os flancos,
todo o corpo
que me perfurem as veias e os ossos
Que me encham por dentro e por fora.
Dêem-me o vazio mais o inteiro
que mais e mais eu posso
Para que cheio de tudo isto
pareça levitar, dançar
e abanar-me ao vento.
Despojar rios e bater-me nas pedras
assim e assim freneticamente
E no dia seguinte
depois de tanto purificado
lavar-me a alma
[trespassada pelo amargo e
o som da calma]
que balanceia entre este e o inferno
entre aquele e o paraíso.

sábado, 7 de setembro de 2013

Hoje ainda não sei

Agora já sabes as cores das luas,
dos sóis, dos mares e das pedras.
Já sabes que é infinito o horizonte,
as linhas dos versos que quero
escrever, mas que o peso que
sinto na memória impele-me em
dizer-tos. Ficas também a saber
que é intransponível a saudade,
e o resto e a inquietude de não
te ter para me poder enroscar
como o vento nas árvores.
Mas deixo-te saber tudo isto
agora, neste instante, neste minuto
e não naquela hora. Hoje,
é quando eu sei que tu também sabes.
Pergunto-me, apenas, quando é que
saberei, quando me dirás.
Se terei de esperar ou ouvir
das bocas das gaivotas e dos
indigentes. Das pedras que roçam,
dos mares que abanam, dos sóis
que por vezes perdem o brilho
porque as luas teimam em
ser mais altas. Mas estas, quando
se levantam, é quando
esqueço tudo e deleito-me
na almofada do tempo à espera
de saber sobre mais um dia.

Acrópole

Que se levantem as pedras
Dos abismos do mar
Para que se ergam na Terra
Acrópoles aos deuses que
Minguam nas mentes
Incrédulas dos transeuntes.
Que o som das gotas
Do orvalho madrugador
Abafe os gritos das camas
Prazerosas nas
Manhãs de Verão.
Para que isto,
Minha cruz e teu sacrário,
Se abrigue num templo eterno de escravidão.

A tua mão enforca-me o sono
O meu gemido mata a tua sede
Funde-se o corpo na
Escuridão do dia e
Os peregrinos começam as
Marchas anuais para o templo
Onde nós e os deuses
Orgiamos as normas que
Regem o amor.