domingo, 29 de abril de 2012

Sorumbático

Sem fins poéticos
Vejo se torcerem
as camas onde dormi
Os teus fóssicos poros
serem penetrados
por galhos espinhosos de roseiras
que um dia me disseram
- Leva-me
Atraco em cais desertos
sem a esperança de encontrar
olhos roxos rotos
de nunca me terem visto
despido das escamas
que me foram cozidas
pelas sibilas
onde outrora
me lançaram palavras toscas
sobre a Morte
E hoje
só hoje
começo a sentir.

domingo, 22 de abril de 2012

Sonhava ser sonhador
Encontrar o amor
Ladrilhar o sol
Beber chuva.

Pensava ser pensador
Encontrar Narciso
Ser Platão
Soprar a chuva.

Sonhava pensar ser sonhador
E não pensou nada.

sábado, 21 de abril de 2012

Que arrastasse
os meus pêlos erectos
imbuídos em álcool
Sentisse nas veias
o cantar de amigos
E as lágrimas grossas
me molhassem o rosto negro
da tristeza embrulhada
em palavras que oiço
nas leves palavras da guitarra
Leva-me daqui
Faz-me tocar na cinza das nuvens
e dizer-te
O amor é trova de luz quente.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os meus ossos caiem aos pés
E o meu corpo para trás da vida
Os abismos sobem
As mentes descem
Desnudam-se as criaturas inconscientes
Que por se acharem livres,
Omnipresentes,
Assentam pilares moles
Sobre as águas
No fundo dos horizontes
O preto torna-se luz
O branco esvanece
A vida balança depois da queda
E vejo-me vivo
Sem a pele
Que no passado
Furou as unhas dos meus dedos.