Assoladora penumbra
De gesto enfermo
Consolador
Sobre o corpo imóvel
E frio, gasto
Por água lacriminosa,
Esvaido em fadiga dolorosa
Em três quartos de alma
Três quartos de mim
Rogai,
Inconsolados
Desamados
Filhos de ninguém,
Esquecidos nas mentes ventosas
Porque assim nos deixastes
Voláteis ao poder,
Ignóbeis, sem pudor
Ladrões de mão vazia
Gastos do rancor
Iluminado nos becos da ilusão.
Oh, deus tapado
No teu alto
Estabelecei ao corpo
O prazer insurrecto
Dai à alma a vontade
Que interditaste
De caminhar suspensa,
Rasa ao Sol.
Ressuscita o legítimo
Filho bastardo
Gerado no ventre do diabo.
Teremos mão poetastro?
Teremos fé de puta?
Somos corpos corcovados
Desmembrados
Em três quartos de alma
Três quartos de ti
Seguindo a direito na penumbra
Na fala com o pródigo,
Dialecto extinto de morte,
Cai.
Resto de carne em corte
A bisturi, na lateral.
Esvai-se a penumbra
Os nevoeiros
Passam por eles barqueiros
Rasgando os abismos dos hemisférios
São tolos, proxenetas
Penetrados pelos males sagrados.
Saiem surtos de cólera
Cheiro de morte
Passa um ventre parindo
Sangrado, operado
Voluptuoso
Nele a glória mundana
A praga insana
De três quartos de alma
Três quartos de mim